Campanha em solidariedade a Kurussú Ambá

Egon Heck/CIMI

Egon Heck/CIMI

 

Por Priscila Anzoategui

Desde 2007, os Guarani-Kaiowá que perambulam pela MS- 289, estrada que fica entre as cidades de Amambaí e Coronel Sapucaía, este último município já foi considerado o mais violento do Brasil, fica a cerca de 420 km de Campo Grande, estão tentando retomar o seu território tradicional.

A primeira retomada, foi a mais sangrenta e está guardada até hoje na memória da comunidade, no dia 05 de janeiro de 2007, 150 indígenas (36 famílias) Guarani-Kaiowá resolveram ocupar um pequeno território do seu tekoha, nomeado por eles “Kurussú Ambá”, essa terra já estava sendo reivindicada há anos, desde a época que foram expulsos pelos fazendeiros com o apoio do próprio estado brasileiro.

No fatídico dia 08 de janeiro, os fazendeiros fortemente armados, eram cerca de 50 pessoas, 12 camionetes, um caminhão e um ônibus, se deslocaram até o acampamento dos Guarani-Kaiowá, com o intuito de expulsá-los, diversos indígenas foram agredidos, a ação dos fazendeiros resultou no assassinato da rezadora (Nhandesi) Xurite Lopes, de 70 anos, não teve jeito, os indígenas tiveram que abandonar o seu território sagrado.

Nesses 07 anos, foram realizadas várias tentativas de retomada, ao todo cinco, porém, muitas lideranças indígenas e crianças morreram nessa luta, outras sofreram tentativa de homicídio, as crianças especificamente morrem devido à falta de acesso às condições minímas de sobrevivência, não tendo o que comer ou mesmo beber, se alimentam de uma mistura composta por água e farinha, a água consumida também está intoxicada, devido aos agrotóxicos jorrados nas fazendas vizinhas, atingindo o córrego que a comunidade utiliza, se os menores adoecem, lhe faltam assistência dos órgãos de saúde do Poder Público.

Kurussú Ambá é um misto de esperança e miséria, talvez seja a reza forte dos Nhandesi e Nhanderu que o façam continuar ali, certamente foi essa mesma reza que fez uma decisão judicial proferida pelo TRF 3ª Região garantir a permanência dos Guarani-Kaiowá num pequeno espaço de terra, com apenas 4 hectares, nos limites da área de “reserva legal” da fazenda retomada.

No dia 22 de setembro de 2014, cansados de passar fome, resolvem sair da área de “reserva legal”, e adentram um novo pedaço de terra para poder plantar. Só que a violência volta assombrar a comunidade, no dia 03 de outubro sofreram novo ataque dos jagunços, que destruíram alguns barracos, no dia 12, os mesmos tacaram fogo nos barracos e atiraram em direção ao acampamento.

No mesmo ano da primeira retomada foi assinado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre o Ministério Público Federal e FUNAI, em que ficou estabelecido a identificação de 36 terras indígenas reivindicadas pelos Guarani-Kaiowá, nas 06 bacias hidrográficas espalhadas no sul do estado, porém, até agora só foi publicado apenas um relatório de identificação, o GT (Grupo Técnico) que visa fazer a identificação do território de Kurussú Ambá está paralisado.

Sem a publicação desses relatórios, o processo de demarcação das terras indígenas fica difícil de avançar, e juntando essa inércia do Governo Federal com o retrocesso das decisões do Poder Judiciário sobre essa problemática, embasando suas sentenças no “marco temporal”, tese apresentada no julgamento do STF no caso da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, onde fica estabelecido que as demarcações só poderão ocorrer se os povos indígenas provarem que estavam no território reivindicado em 1988.

Essa nova jogada do Poder Judiciário, ignora completamente o fato que os índios foram expulsos de suas terras tradicionais no final do século XIX e começo do século XX, pelo próprio estado brasileiro, foram confinados em pequenas reservas, servindo de mão-de-obra barata para os grandes latifundiários, no intuito de conseguir sobreviver, mesmo sendo esquecidos pelo poder público.

No caso de Kurussú Ambá, decisão proferida pela 1ª instância da Justiça Federal, no dia 06 de outubro, determina o despejo dos Guarani-Kaiowá, com prazo de 20 dias para saírem voluntariamente.

O Cimi (Conselho Indigenista Missionário), juntamente com outras entidades, como MST, CDDH/MS (Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã-i), Comissão de Direitos Humanos da OAB/MS e Coletivo Terra Vermelha, está promovendo uma campanha em solidariedade a Kurussú Ambá, que visa arrecadar alimentos e água, já que os Guarani-Kaiowá estão tendo que enfrentar não somente a violência dos jagunços, mas também a violência da fome.

Entregue suas doações na sede do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã-i, que fica localizado na Rua Juruena, 309, sala 01, Vila Bandeirantes, Campo Grande-MS.

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