Mobilização Nacional Indígena em Campo Grande/MS

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Por Priscila Anzoategui.

Fotos: Maria Chiang.

A semana de Mobilização Nacional Indígena que está sendo realizada em Brasília, nos dias 13 a 16 de abril, juntamente com o Acampamento Terra Livre, na frente do Congresso Nacional, também repercute em outros estados do Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, indígenas da etnia Guarani-Kaiowá, no sul do estado, bloquearam várias estradas em Caarapó, Dourados e Rio Brilhante, reivindicando o arquivamento da PEC 215.

Já na Capital Campo Grande, o Coletivo Terra Vermelha promoveu um ato em apoio a Mobilização Nacional Indígena, com cerca de 250 pessoas. Os manifestantes saíram pelas principais ruas de Campo Grande, juntamente com trabalhadores que estavam marchando contra o Projeto de Lei 4330/14, o PL da Terceirização.

Os apoiadores da luta indígena empunharam cartazes em oposição à PEC 215 – Proposta de Emenda Constitucional que quer tirar a competência do Poder Executivo para a demarcação das terras tradicionais, transferindo-a ao Poder Legislativo entre outras questões, bem como denunciaram a nova “jogada” do Poder Judiciário Federal em utilizar o “marco temporal” inconstitucional para impedir a demarcação das terras indígenas.

A PEC 215 que havia sido arquivada no ano passado, volta a assombrar os povos indígenas, pois se for aprovada, a demarcação de muitas terras tradicionais, garantidas pela Constituição Federal de 1988, serão extintas, uma vez que a maioria do Congresso Nacional é formada pela bancada ruralista e setores evangélicos, que tem interesses escusos para acabar de uma vez por todas com os direitos indígenas conquistados ao longo da história brasileira

A Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), em processos que envolvem a Terra Indígena Guyraroká (tekoha dos Guarani -Kaiowá) e Limão Verde (Terena), aplicando os critérios inconstitucionais do julgado sobre a T.I. Raposa Serra do Sol, decidiu por não haver a “posse indígena”, pois os índios, segundo os Ministros do STF, não estavam presentes nessas áreas em 1988. Pois  esquecem os “doutos Ministros” que os indígenas não estavam ali em 1988 porque haviam sido expulsos muito antes dessa data, de forma violenta, por fazendeiros com apoio de servidores públicos do próprio Estado brasileiro.

Os Terena da retomada Buriti marcaram presença no ato em Campo Grande. Carregando um caixão com os nomes das lideranças indígenas assassinadas, demonstraram o seu luto pela morte de Oziel Gabriel, morto em maio de 2013, durante a reintegração de posse realizada pela Polícia Federal e Militar de MS.

A manifestação contou com o apoio do grupo de teatro Imaginário Maracangalha, apresentando a peça Tekoha- Ritual de vida e morte do deus pequeno, que narra à história de Marçal de Souza, Tupã-i, assassinado na década de 1980 por fazendeiros.

No final do ato, alguns parentes de Oziel subiram no coreto da Praça Ary Coelho, relatando à população sobre a lentidão da negociação entre o poder público e os fazendeiros, a fim de que a Terra Indígena Buriti seja finalmente demarcada. Ainda, repudiaram que até hoje o Policial Federal assassino de Oziel esteja impune.

Houve também a interação dos manifestantes de Campo Grande com os indígenas que estão em Brasília, através de uma transmissão ao vivo num telão, as lideranças puderam falar diretamente, agradecendo o apoio de todos.

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